Esclareça suas principais dúvidas sobre como o fluxo de trabalho de cores pode afetar suas metas de sustentabilidade.
O equívoco mais comum é achar que os materiais reciclados devem se comportar exatamente como os virgens em todas as situações. O conteúdo reciclado pode, sem dúvida, ter um desempenho excelente — mas isso exige expectativas diferentes, controles de processo mais rigorosos e uma abordagem mais colaborativa em toda a cadeia de suprimentos. As empresas que partem com a expectativa de uma substituição direta e imediata tendem a ser pegas de surpresa pelo nível de adaptação necessário no abastecimento, no processamento, nos testes e na gestão da qualidade. Isso vale tanto se você estiver trabalhando com plásticos reciclados pós-consumo, papel e papelão reciclados ou fibras têxteis recuperadas.
O maior erro é não ter uma maneira estruturada de lidar com a variação que existe na matéria-prima recebida. Alguns fabricantes investem em sistemas de filtragem de material fundido (para plásticos) ou em outras etapas de homogeneização para controlar o que recebem, mas isso é caro e demorado de manter. A solução mais sustentável está na fase inicial: assumir o controle da própria matéria-prima, por meio de especificações mais claras para os fornecedores, testes mais rigorosos nos materiais recebidos e maior responsabilização dos fornecedores. Tentar corrigir a variabilidade dentro do processo de produção sempre vai ser mais caro e menos eficaz do que evitá-la na fonte.
Essa é uma das áreas mais desafiadoras na gestão de cores de materiais reciclados. As cores claras têm muito pouca margem para esconder as variações do material de base. Com cores mais escuras ou de alta cromaticidade, a carga de pigmento consegue mascarar bem o que está por baixo — mas com amarelos, laranjas, brancos e tons neutros claros, a cor do material de base influencia diretamente o resultado final. Dependendo de quanto os valores LAB da matéria-prima variam de lote para lote, conseguir tons claros consistentes pode exigir cargas de pigmento significativamente maiores, o que aumenta o custo da matéria-prima, ou pode simplesmente não ser possível de forma consistente além de uma determinada porcentagem de conteúdo reciclado. O segredo é medir e entender a cor do seu material base antes de formular e incorporar essa variabilidade às suas especificações e às expectativas do cliente desde o início.
A sustentabilidade dos corantes envolve várias dimensões: o impacto ambiental da extração e síntese das matérias-primas, a presença de substâncias perigosas (metais pesados, aminas restritas, compostos orgânicos persistentes), a intensidade energética da produção, o comportamento no fim da vida útil nos fluxos de reciclagem e compostagem e a durabilidade durante o uso (já que um corante que desbota rápido faz com que o produto precise ser trocado mais cedo). Não existe um único indicador que abranja todas essas dimensões, e é por isso que a abordagem do ciclo de vida é importante na hora de avaliar as opções de corantes.
Uma biblioteca digital estruturada de cores, substratos e formulações aprovadas é um recurso de sustentabilidade que a gente tende a subestimar. Ela evita que a mesma cor tenha que ser desenvolvida do zero várias vezes em diferentes projetos ou linhas de produtos. Facilita identificar qual formulação aprovada já existente é a mais próxima de uma nova meta, reduzindo o trabalho desnecessário de desenvolvimento. Ela também fornece os dados históricos necessários para acompanhar a consistência ao longo do tempo e identificar fornecedores ou lotes de materiais que estão apresentando desvios — antes que esses desvios causem um problema de produção. Por fim, ajuda a evitar aborrecimentos com clientes que esperam que você sempre consiga reproduzir uma cor que já foi desenvolvida antes.

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